A fotografia é um dos meios mais importantes para a imortalização de momentos. Quando a memória nos falha, um pedaço de papel pode dar sentido e tornar vívido tempos longínquos. Uma simples imagem facilita a compreensão de todo um conceito. É quase impossível olhar para uma fotografia e não assimilar uma ideia. É o que a torna intemporal e capaz de controlar narrativas.

A história longa do Hip-Hop, de quase 50 anos, também acompanha a evolução da fotografia moderna. Desde as complexas analógicas, às point&shoot e às DSLR, que não faltou quem quisesse captar este fenómeno. Isto, que começou em 1973 nas festas do DJ Cool Herc, agora é o maior género musical do mundo e a que mais influencia a cultura pop.

Se pusermos, lado a lado, uma fotografia da Janette Beckman, dos anos 80, e uma fotografia do Michael Miller, de 2019, a qualidade de imagem muda, mas continuamos a sentir que representam ambas o Hip-Hop.

A morte do fotógrafo Ricky Powell este mês sensibilizou-nos para a responsabilidade de dar destaque àqueles que têm contado a história deste movimento através das suas lentes. De internacionais a nacionais, eis a nossa lista:

  • Janette Beckman – Fotógrafa londrina que fez de Nova Iorque a sua casa e, por isso, pôde experienciar a passagem da presença predominante do Punk ao Hip-Hop nas suas ruas dessa cidade. Entre trabalhos para capas de álbum dos EPMD, por exemplo, também fotografou os Ultramagnetic MCs em 1989.
  • Danny Hastings – No seu portfólio constam capas de álbum daquela que muitos consideram ser a Era Dourada do Hip-Hop: os anos 90. Trabalhos para NAS, Raekwon, Jeru The Damaja e KRS One, mas o mais impactante talvez para o álbum Enter The Wu-Tang (36 chambers) dos Wu-Tang Clan.
  • Ricky Powell – O homem que nos inspirou a fazer esta lista cresceu em Manhattan, ao mesmo tempo que o movimento crescia. Foi por essas ruas andou com a sua point&shoot a captar momentos importantes da história. Para além do trabalho próximo aos Beastie Boys, que o levou a ser considerado o quarto elemento do grupo, também fez trabalhos comerciais para outros artistas como LL Cool J.
  • Estevan Oriol – Da Costa Oeste, o fotógrafo que documentou a cultura urbana e de gangues da cidade de Los Angels desde os anos 90. Ganhou nome e todos os rappers queriam ser fotografados por ele.
  • Michael Miller – Este fotógrafo captou retratos do 2pac nos anos 90 e as suas lentes não ficaram a ganhar pó. Continuou a fazer sentir o seu nome e hoje faz o mesmo com artistas da nova escola como Asap Rocky ou 21 Savage.
  • Chi Modu – De origem nigeriana, mas residente nos Estados Unidos, pode dar-se ao luxo de ter no seu portfólio fotografias do B.I.G e do 2pac. Para além desses, fez retratos do Snoop Dogg, Ice Cube, Q-Tip e Eazy-E. A mais icónica deve ser mesmo o retrato dos Mobb Deep, que acabou servir para a capa do álbum The Infamous.
  • Jonathan Mannion – Entre concertos do Biggie em 1994 e capas de álbum para o Dj Khaled em 2016, estão pelo meio centenas de sessões com artistas major de Hip-Hop. Um dessas sessões resultou na capa do álbum do DMX, Flesh Of My Flesh, Blood Of My Blood, de 1998.

Cá por Portugal, também há quem vá fazendo história com as suas lentes ao documentar a própria história do Hip-Hop nacional e dos internacionais que por cá passam. Eis os seus nomes e alguns dos seus trabalhos: